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Uma Questão Pessoal, Lee Child

por FH, em 30.05.18

Segundo a contracapa, a cada quatro segundos vende-se um livro de Lee Child. Tentei fazer as contas ao dinheiro que o homem ganhará e, não só por pudor, mas também por vergonha pelas vendas dos meus livros, desisti quando os zeros que se iam acumulando à direita se tornaram absurdos.

O herói - sim, trata-se mesmo de um herói - dos livros de Child chama-se Jack Reacher. Ex-militar, tem a particularidade de não ter casa nem pertences, a não ser, segundo julgo ter percebido, uma escova dos dentes e a roupa em segunda mão com que anda vestido. Violento com os maus, compassivo com os mais fracos e justo com todos, Jack está em permanente movimento, deambulando pelo seu país, os Estados Unidos da América, a pé ou como passageiro de autocarros, comboios e, embora não o possa jurar, creio que à boleia.

Há cerca de duas décadas que Reacher anda por aí, quer dizer, por lá, e este livro é um dos mais recentes (2014). Assim, o personagem está escrito de um modo bastante sólido e Child pode referir-se a algumas situações passadas, imagino que de outros livros, com calma e propriedade, como acontece com alguns apontamentos da história familiar do protagonista e com o pormenor de a sua companheira de aventura em Uma Questão Pessoal  lhe lembrar uma outra da mesma idade por cuja morte ele se sente responsável.

O enredo está focado no recrutamento de Jack por parte de um general que lidera uma task force que tenta apanhar um atirador especial que se crê ser uma ameaça a uma reunião do G8 em Londres que está para breve. A justificação para aceitar a missão é dada por uma dívida antiga pessoal para com um dos braços-direitos do general e por um dos três suspeitos ser um ex-soldado que cumpriu uma pena de prisão de quinze anos devido a Jack e que tudo indica se querer vingar dele.

Nunca tinha lido nada deste "mestre do thriller", cargo que, a crer pelas capas que se vêm nas livrarias, deve partilhar com uns quinze mil ou dezasseis mil e quinhentos outros autores e que no próximo ano se aproximará certamente dos dezanove mil. 

A história é linear e grande parte passa-se em Paris e Londres. É contada por Reacher na primeira pessoa e segue as regras basilares deste tipo de livros, com os seu grandes diálogos, esmeradas descrições dos espaços físicos, a ação deixada em suspenso no final de cada capítulo , como em "e quando saí da farmácia, ela não estava lá. Nem o Skoda." e as sub máquinas narrativas a funcionar de modo a que no final tudo bata certo e aquilo que se julgava serem só palpites, ou até descuidos, se revelem, afinal, parte do plano de Jack. As cenas de pancadaria - em que os cotovelos do protagonista têm uma constante e surpreendente preponderância - são, talvez, a particularidade da escrita de Lee Child que me irá fazer guardar este livro como text book. Ao saber que há livros desta série escritos na terceira pessoa, fiquei curioso por dar uma espreitadela e ver se Child se safa tão bem.

Em resumo, o livro é bom (competente) e um dos melhores do género que já li. Se o que se procura é entretenimento puro, ou um tipo de série, isto é, um ambiente reconhecível  a cada novo livro, então Jack Reacher, como Gabriel Allon e Robert Langdon, é um garante de satisfação. 

  

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publicado às 09:17



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