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Sangue na Neve, Jo Nesbo

por FH, em 29.04.18

Passada em 1978, esta novela de cerca de 150 páginas não tem como protagonista o detetive Harry Hole, merecidamente a galinha dos ovos de ouro do autor norueguês. O personagem principal e narrador de Sangue da Neve é um assassino profissional chamado Olav. Por ser um rapaz solitário, ou só por azar, apaixona-se pela esposa adúltera do patrão quando este lhe atribui a tarefa de a matar. O pior, no entanto, está ainda para vir. Enamorado à distância, Olav pensa estar a resolver o assunto ao assassinar o amante que vem a perceber ser o filho de um primeiro casamento do patrão. 

 A competência de Nesbo como autor de policiais é atestada pelos milhões de livros vendidos e neste quase tudo está não só como deveria estar como vai um pouco mais além. Olav é um protagonista com uma densidade e complexidade apreciáveis: o primeiro homem que matou foi o seu pai abusivo, gosta de ler, apesar de ser disléxico, e apresenta uma análise bastante pragmática das relações humanas e de si próprio. Os restantes personagens poderiam surgir como um aspeto menos conseguido por Nesbo devido a serem tão planos e poucos desenvolvidos, mas isso não acontece se tivermos em conta que a história é narrada por Olav. O que sabemos dos outros é o que ele sabe e, sendo ele um homem solitário e misantropo, isso reflete-se nas suas opiniões superficiais e na forma como acaba por ser algumas vezes enganado devido à sua má análise.

Tecnicamente, começando pela velha regra "Se no primeiro capítulo é referido um saxofone na sala, esse saxofone aparecerá mais à frente na história", cuja observância nesta novela é levada a um extremo, e terminando nos formidáveis, porque inesperados em absoluto, volte-face que o livro nos apresenta, não haveria nada a apontar, sendo talvez as duas únicas ressalvas a forma como Olav passa horas e horas a fazer coisas difíceis com uma hemorragia supostamente mortal e para um cena em particular em que uma mulher, vendo o marido e a filha ainda criança baleados, se vai abraçar a ele e não a ela, num momento em que, por mais boa vontade que o leitor tenha, a necessária suspensão de incredulidade se torna necessariamente ausente.

     

 

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