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Legislar as emoções

por FH, em 28.05.18

Concordo com a penalização da eutanásia. Todavia, sei que nesta, ou na próxima legislatura, a eutanásia passará a ser possível.

Observo nessa nova regressão civilizacional a concretização de uma das mais antigas ambições totalitárias: legislar no campo dos sentimentos e emoções. A medida da Dignidade, quer se queira, quer não, será fixada e crescerá normalmente em complexidade e amplitude, como aconteceu já, e com uma rapidez exemplar, na Holanda e na Bélgica, que com o Luxemburgo são únicos países que praticam a eutanásia. Julgo que aqui em Portugal, daqui a cinco ou dez anos, a cultura da morte doce, ou da morte digna, também chegará às depressões e aos cuidados geriátricos como acontece hoje nos países do Benelux onde médicos já podem decidir pelo doente o nível de sofrimento que acham admissível. Esperar que a legislação criada acautele qualquer possibilidade de abuso é, no mínimo, ingénuo. A situação daqui a duas décadas é inimaginável, porque a tendência do termo dignidade ser usado para tudo o que implique algum nível de sofrimento terá um aumento exponencial. Até porque estou convencido que a eutanásia serve mais para apaziguar os que ficam, e assistem à morte de queridos, do para os que morrem, a quem nunca se ouvirá uma opinião ou avaliação acerca da experiência.

A liberdade individual quanto à morte está naturalmente consagrada pelo suicídio. Querer passar o ónus da responsabilidade do gesto para terceiros é cobardia e um ataque a essa mesma liberdade.

Se uma morte digna do sofredor passa pela eutanásia, uma morte sem eutanásia de um sofredor passará a ser indigna. Os que escolherem sofrer até ao fim serão indignos ao olhos da sociedade. Não me revejo nestes valores.

 

 

  

  

 

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publicado às 09:59



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