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O cuidador

por FH, em 25.12.17

1988

A noite de véspera de Natal avança. Uma gripe deixou-me em casa. A família juntou-se toda e eu fiquei, recusando companhia para que ninguém se sacrificasse por minha causa. Estou deitado no escuro do quarto. Não penso em nada.
Oiço ao longe a porta da rua a abrir e fechar. O estado febril e a sonolência deixam-me indolente ao que pode ser um assaltante, mesmo depois de ver, pela porta entreaberta, que a luz do corredor foi acesa.
M entra, cuidadoso, tateando o meu sono. Ao ver-me acordado, pergunta-me como estou. Usa uma voz de carinho rara. Saiu da festa familiar, que decorre a trinta quilómetros, para ver se está tudo bem comigo.
Vai buscar um chá quente, pousa-o na mesa de cabeceira e certifica-se de que estou confortável. Hesita em sair, propondo-me sem palavras a sua companhia durante o resto da noite. Eu recuso, virando-me para o lado, dizendo que vou dormir e que fico bem. Ele apaga a luz e sai, voltando para o jantar de Natal. Seguro as lágrimas até ouvir o seu carro a arrancar, comovido pelo seu gesto. 

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publicado às 10:36


2 comentários

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De P. P. a 25.12.2017 às 22:52

Não sei se o meu comentário a este post surgirá aqui ou nas PM 😮
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De P. P. a 25.12.2017 às 22:53

Que gesto bonito.
As melhoras.

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