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Caballo Baio

por FH, em 24.12.17

2002

A menina de três anos senta-se ao seu colo e a velhice já tão adiantada de J aconchega-se a ela. Começa uma canção aprendida há oito décadas atrás, do outro lado do oceano, num lugar de terra vermelha ganho num braço de ferro à floresta.
Há alguns anos que está cativa no sofá. É o pagamento final por uma queda de árvore mal planeada que lhe danificou as pernas quando era adolescente. Durante o resto da vida coxeou e agora, quase no fim, o esforço de J deixou de ser suficiente.
A sua voz é já fina, um sopro morno. Canta sobre um cavalo baio,que não sei o que significa, que se perde na floresta. Os seus olhos muito azuis, pequeninos, sorriem. Talvez se pudesse pensar que está a passear de novo pelos campos de chá ou a dar café aos trabalhadores de madrugada antes da jornada começar. Mas não. Tenho certeza de que está aqui, bem presente, segurando a criança no seu colo.
A menina tem a cabeça encostada ao seu peito e um olhar atento como se percebesse o que J diz. 

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publicado às 10:46



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